O
autor Hiroaki Samura nasceu no dia 17 de fevereiro
de 1970, na província de Chiba, próxima
à Tokyo.
Depois
de terminar a faculdade, Samura deixou os
estudos e resolveu tentar a carreira de Manga-ka
(autor de mangá). Após vencer
um concurso na revista japonesa Afternoon
da editora Kodansha, Samura tornou-se um desenhista
brilhante e tornou sua arte uma das mais ousadas.
Desde
suas primeiras idéias sobre quadrinhos,
ele imaginava como criar uma história
tendo como tema principal a vida eterna. Pensando
nisso, descobriu algo interessante sobre a
morte no Bushidô (o famoso código
de ética dos samurais): a obrigação
de um samurai de se suicidar quando julgava
ter perdido a honra. Desta forma, a morte
era uma parte muito importante da vida e para
um samurai desonrado, suicidar-se era um jeito
de vencer a morte e de se purificar dos atos
desonrados.
Então
o que aconteceria se um guerreiro não
morresse nunca? Foi pensando nisso que Hiroaki
Samura criou Blade – A Lâmina
do Imortal, que é a mistura de uma
sensibilidade moderna com a forma clássica
de se contar um Jidai Geki, como são
chamadas aquelas histórias baseadas
no Japão antigo, e que geralmente narram
aventuras de samurais.
Uma
história premiada e ambiciosa
Para criar
o estilo e a arte presente em Blade, Hiroaki
baseou-se nos desenhos de um antigo artista
chamado Tatsumi Nishimura, um importante desenhista
de Bijin-ga (arte japonesa de desenhar mulheres)
no final do século 19. Tatsumi era
famoso por desenhar mulheres do período
Edo com grandes cílios e pupilas enevoadas
e havia feito alguns desenhos de Tange Sazen,
um famoso guerreiro japonês que, apesar
de ter apenas um olho e uma perna, tinha uma
grande habilidade com a espada. Foi daí
que Samura se inspirou para criar o mundo
detalhado de Blade usando apenas um lápis
preto e muita criatividade. As ilustrações
das histórias são únicas
e demonstram a profundidade da obra.
Hiroaki
Samura colocou em Manji tudo o que pensa sobre
como deve ser o herói ideal. Um guerreiro
que não revela suas fraquezas para
o adversário, mas que ao mesmo tempo
também não se acha melhor do
que os outros.As armas exóticas e os
estilos de luta usados pelos personagens em
Blade também são criações
do próprio autor.
Blade
foi premiado em 1998 com o nono Media Arts
Award, um importante prêmio promovido
pela agência de cultura, um órgão
criado pelo Ministério da Educação
do Governo Japonês. Este prêmio
foi criado para encorajar e recompensar a
criação de trabalhos que se
destacam por difundir a cultura e a história
do Japão, e no caso dos mangás,
por extrapolar os limites da expressão
artística. Autores famosos como Shotaro
Ishinomori (Cyborg 009), Hayao Miyazaki (Princess
Mononoke), Mamoru Oshii (Ghost in the Shell)
e Inoue Takehiko (Vagabond) também
tiveram a honra de ganhar este prêmio.
Blade
ganhou porque a história tem uma sensibilidade
evidente no poder e na força dos desenhos,
além de uma exploração
profunda do caráter humano. Este mangá
é considerado um trabalho ambicioso
porque herda as melhores tradições
das antigas histórias do Japão
feudal, enquanto eleva esta forma a novos
planos de maturidade e realização.
Blade – A Lâmina do Imortal foi
lançado no Japão na revista
semanal Afternoon da editora Kodansha, foi
publicado também nos Estados Unidos
pela Dark Horse e finalmente está chegando
ao Brasil pela Conrad Editora.