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Palestina: uma nação ocupada
Palestina representa um desafio: provar que se pode fazer uma reportagem
em forma de quadrinhos. O resultado é muito mais que satisfatório.
Com esse livro, Joe Sacco passou a ser considerado o representante máximo
de algo que vem sendo chamado "new new journalism", com referência
àquela geração de Truman Capote, Tom Wolfe e Hunter
S. Thompson.
O livro arrancou elogios entusiasmados de toda a crítica, inclusive
daquela não especializada em quadrinhos. Do New York Times ao The
Nation. Foi elogiado inclusive pelo professor Edward Said, talvez o especialista
na questão palestina. Entrou para o currículo de diversas
universidades norte-americanas. E, por fim, ganhou o American Book Awards.
Palestina é resultado de uma longa viagem que o autor fez ao Oriente
Médio. Durante dois meses, Sacco coletou histórias nas ruas,
nos hospitais, nas escolas e nas casas dos refugiados. Presenciou violentos
confrontos dos soldados com a população e entrevistou vítimas
de tortura. Conversou com militantes, com outros já conformados
com a situação, com velhos e com crianças. "Sua
mente é sua câmera", diz o jornalista Dick Doughty,
"Sacco ilustra não só tudo o que vê, mas tudo
o que lhe contam, e faz isso de maneira soberba."
Ainda que Sacco não disfarce sua simpatia pela causa palestina,
o livro está bem longe de poder ser considerado propaganda. Tem
muito humor, auto-ironia e nuances para isso.
Um livro fundamental, que transcende o mundo das histórias em quadrinhos
e deve ser lido por todos os interessados em bom jornalismo.
Joe Sacco
Joe Sacco nasceu em Malta, em 1960, passou a infância na
Austrália e vive atualmente em Portland, Oregon, ainda que mantenha
a cidadania maltesa. Seu trabalho mais recente é o livro "Safe
Area Gorazde The War in Eastern Bosnia" . Uma reportagem
em quadrinhos a respeito de um pequeno enclave muçulmano na Bósnia.
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