Joe Sacco prova que não só é possível, como, em certos aspectos, sua reportagem em quadrinhos é bem mais eficaz do que o tradicional texto jornalístico ou mesmo histórico/acadêmico. E este é o ponto mais fascinante: com muita ousadia, Sacco demonstrou a potência de uma linguagem que, aparentemente, é inadequada para tratar de um tema tão grandioso e terrível como é o conflito na Palestina. Resta explicar a fonte dessa potência: de onde a história em quadrinhos extrai a legimitidade para reivindicar para si o estatuto e a dignidade de reportagem jornalística. Não é uma questão fácil. Muito ao contrário. Há, antes de mais nada, um problema formal. O texto jornalístico tradicional aspira à "objetividade" - isto é, ao relato isento dos fatos -, mesmo sabendo, de antemão, que fracassará em seu intento (não existe "objetividade" pura, independente do narrador, já que o sujeito da enunciação do discurso sempre deixará sua marca: mesmo a demonstração de um teorema matemático, completamente impessoal, será marcada pelo estilo do matemático). Em sua busca da objetividade inatingível, o texto jornalístico deve adotar certos procedimentos que garantam, ao máximo, o rigor da informação divulgada, a fidelidade às "fontes" da reportagem, a precisão descritiva. O texto jornalístico quer se aproximar ao máximo do objeto da reportagem, quer analisá-lo a partir de vários pontos de vista. Ele se atira, enfim, na direção do objeto.

A linguagem do quadrinho, tradicionalmente, não tem essa motivação. Ela é, muito mais, uma forma de manifestação estética. Como arte, ela certamente permite a livre expressão de um sentimento, de um desejo, de uma determinada percepção do mundo, da pulsão erótica que move o seu autor. Não tem, nesse sentido, compromisso com o objeto, a menos que se entenda como "objeto" o próprio "mundo interior" do artista, o seu imaginário. A linguagem do quadrinho sequer tem a pretensão à verossimilhança postulada pela arte romântica ou realista do final do século XIX. Ali onde o texto jornalístico ambiciona objetivar ao máximo uma determinada situação - impossível não pensar, aqui, no cartógrafo de Jorge Luis Borges, que quis fazer um mapa tão perfeito, tão detalhado do reino, que acabou reproduzindo o próprio território -, o quadrinho estabelece como único compromisso dar forma ao imaginário de seu autor.

O NOVO MUNDO

A "reportagem em quadrinhos" coloca, então, uma questão formal muito complicada. Como conciliar linguagens que não apenas nada têm em comum, como têm ambições antagônicas? Colocado assim, o problema parece ser teoricamente insolúvel. Ele poderia levar à conclusão de que a "reportagem em quadrinhos" rebaixa, diminui tanto a reportagem - por ser excessivamente marcada pelo subjetivismo -, quanto diminui o quadrinho - por estar excessivamente presa ao "mundo objetivo", ao mundo dos fatos empíricos. Poderia ser até uma conclusão aceitável, não fosse o fato de que a mera leitura do livro de Joe Sacco causa uma profunda e agradável impressão de que aquilo que acabamos de ler é uma excelente "reportagem em quadrinhos" sobre a Palestina! Voltamos, então, à questão inicial, já que alguma coisa parece ter escapado ao encadeamento lógico dos argumentos teóricos.

Essa "alguma coisa" é a época em que vivemos. O conceito de "reportagem" foi profundamente influenciado, nos anos 90, pela instalação de uma mídia planetária, que bombardeia todo o mundo com imagens do mundo inteiro, 24 horas por dia, em tempo real. Não há como escapar à constatação de que a linguagem televisiva exerce, hoje, um profundo impacto sobre o jornalismo em geral, modificando até mesmo plasticamente a maneira pela qual os jornais imprimem suas reportagens. É esse impacto que explica, por exemplo, a "cadernização" dos jornais impressos, o uso de cores, de fotos grandes etc. Descrevendo de maneira sintética esse processo, os editores do jornal USA Today proclamaram a sua ambição de produzirem um "jornal impresso".

NOTÍCIA BONITA

Mas o impacto da televisão não se limita ao uso dos elementos formais da linguagem jornalís-tica. Ela também acentuou a importância dos "critérios de mercado" como os parâmetros mais importantes para definir o que é e o que não é notícia (todos conhecemos a extrema sensibilidade da televisão às oscilações dos índices de audiência, como critério único para saber se tal ou qual programa permanecerá ou não no ar). E, mais importante ainda para a nossa rápida reflexão, a televisão diluiu completamente os gêneros: é quase impossível, hoje, classificar rigorosamente um programa como "jornalístico", de "entretenimento" ou "comercial", já que todos incorporam técnicas de todos. Assim como é importante que a apresentadora do telenoticiário se-ja "bonita", também é importante que o candidato a um cargo eletivo seja um bom "apresentador" (de preferência, com "boa aparência").

Saber o que é ou não "notícia", nesse quadro concreto, assim como o tratamento jornalístico que a notícia receberá, depende de uma série de condicionantes que nada têm a ver com a atividade jornalística propriamente dita, pelo menos em seu sentido tradicional. "Notícia" será qualquer evento que tenha boas chances de ser aprovado pelo mercado, não importa a razão (impacto emocional, sensacionalismo etc.). Quanto mais impactante, do ponto de vista imagético (não importa se por sua beleza, por sua crueldade, por seu ineditismo), melhor. A imagem se transformou na palavra-chave do jornalismo contemporâneo. O texto, cada vez mais, serve como mero suporte para a imagem. Isso vale mesmo para os jornais "sérios" (mesmo que o Guardian não publique fotos sensacionalistas de Ladi Dy, aquelas fotos foram vistas pelos seus leitores e isso influenciará o editor ao estabelecer o tom da reportagem).

Se já não é possível, no mundo contemporâneo, separar "notícia" da "imagem da notícia", isso coloca uma outra indagação, de certa forma angustiante: as imagens que vemos do mundo não são neutras, não são "objetivas", embora construam a ilusão de o serem, com muito mais competência que o texto. Raramente paramos para pensar que aquilo que vemos na televisão ou impresso nas páginas do jornal não é "o" mundo, mas "um" mundo, entre muitos outros mundos possíveis. Alguém elegeu aquele fato para ser notícia, alguém manipulou a câmara e escolheu os ângulos a partir dos quais registrou aquele fato, alguém editou as imagens prontas, alguém determinou o momento em que aquela seqüência de imagens seria levada ao ar etc. Só que os teles-pectadores não mantêm essa reflexão em sua linha de horizonte, principalmente porque a televisão estimula um estado passivo, hipnótico, quase letárgico de recepção das imagens, que passam a ser absorvidas sem qualquer reflexão crítica.

AQUELE QUE VÊ

O poder extremamente sedutor da imagem radica na tradição cultural. Nossa cultura privilegia a visão como fonte principal de obtenção de conhecimento. Isso vem da Antiguidade Clássica. Como mostra o historiador Jacques LeGoff, a palavra "história" vem do grego antigo historie, em dialeto jônico. Esta forma deriva da raiz indo-européia wid-, weidi, "ver". Daí o sânscrito vettas "testemunha" e o grego histor "testemunha" no sentido de "aquele que vê". Esta concepção da visão como fonte essencial de conhecimento leva-nos à idéia que histor "aquele que vê" é também aquele que sabe; historein em grego antigo é "procurar saber", "informar-se". Historie significa pois "procurar". É este o sentido da palavra em Heródoto, no início das suas Histórias, que são "investigações", "procuras". Se quisermos ir um pouco além, basta lembrar que na tradição bíblica até Deus teve que "ver" a disposição demonstrada por Abrão de sacrificar seu filho Isaac, assim como São Tomé teve que "ver" as feridas no corpo de Cristo para aceitar o fato de sua ressurreição.

Vemos, logo sabemos - é isso que nos diz a nossa tradição cultural, e é isso que os grandes oligopólios da mídia utilizam para, diariamente, através dos telejornais, construir o seu mundo como se fosse "o" mundo, o único possível, o único existente. A cobertura da Guerra do Golfo (janeiro/fevereiro de 1991) foi exemplar a esse respeito. Quem "viu" a Guerra do Golfo pela televisão, a partir das imagens transmitidas pela CNN, constatou que não houve derramamento de sangue. Foi uma guerra "limpa", "cirúrgica". Durante quarenta dias e quarenta noites, os Estados Unidos lançaram 88,5 mil toneladas de bomba sobre Bagdá, a capital do Iraque, onde viviam 4,8 milhões de habitantes, sem matar absolutamente ninguém! Vimos, diante de nossos olhos, um milagre da tecnologia. Hoje se sabe que pelo menos 100 mil pessoas morreram em Bagdá, incluindo crianças, mulheres e velhos.

O incrível não é que tanta gente tenha morrido. Ao contrário, isso é o esperado. O incrível é que bilhões de telespectadores, em todo o mundo, tenham acreditado que a guerra foi "limpa". O então presidente dos Estados Unidos, George Bush, terminou a guerra contando com o apoio de 90% da opinião pública de seu país, que, alegremente, exorcizou o "fantasma do Vietnã". E se tanta gente, no mundo inteiro, acreditou em algo tão absurdo, é porque todos foram vítimas (e, de certa forma, cúmplices) de uma sofisticada "engenharia do consenso" arquitetada pelas grandes corporações da mídia, em comum acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos. A "engenharia do consenso" não é algo "novo". Ela vem sendo insistentemente desmascarada e denunciada por Noam Chomsky, para quem a mídia, hoje, é o principal inimigo da democracia.

CONSTRUINDO CONSENSOS

Basicamente, a "engenharia do consenso" é um complexo processo psicossocial. Os grandes oligopólios da mídia estimulam o debate público sobre alguns assuntos, mas sempre condicionando o debate a certos parâmetros. Chomsky dá o famoso exemplo do "debate" entre "pombas" e "falcões" que tomou conta da imprensa americana nos anos 80. "Pombas" eram os congressistas que queriam derrubar o governo sandinista da Nicarágua mediante pressões econômicas. "Falcões" eram os que propunham ataques militares para atingir os mesmos objetivos. O público foi dividido entre uns e outros, sem que ninguém parasse para dizer que os Estados Unidos não tinham o direito de derrubar o governo sandinista, nem de qualquer outro país, por qualquer meio que fosse.

No Brasil do final dos anos 90, apenas para citar outro exemplo, vemos a "engenharia do consenso" em operação quando notamos que o debate sobre a dívida externa - e principalmente sobre a moratória - foi totalmente eliminado dos noticiários. Criou-se um consenso segundo o qual o grande problema da economia nacional é a inflação, e de que bastaria conter a depreciação da moeda para que todos os problemas fossem resolvidos. A partir daí, tornou-se legítimo qualquer debate sobre como sustentar o Plano Real, com a mesma força que se tornou "maldita" qualquer sugestão que colocasse em risco a idéia do "livre mercado" como passaporte para a modernidade.

É claro que a "engenharia do consenso", para ser bem-sucedida, tem que partir das expectativas e preconceitos do público (que, desta maneira, torna-se cúmplice). No caso da Guerra do Golfo, "ninguém morreu" porque os árabes, vítimas das bombas, eram vistos como portadores de uma subcultura, um povo "fanatizado" pelo Islã, culturalmente "atrasado" etc., isto é, um não-povo, gente estranha que não tinha mesmo direito a um lugar ao Sol, como "nós", os ocidentais. Os árabes já não existiam como seres humanos, antes mesmo da guerra começar. Ou, no caso da Nicarágua, tratava-se de mais uma "republiqueta de banana" destinada a ser "civilizada" pela cultura anglo-saxônica, obviamente superior, e daí ninguém estranhar a legitimidade de uma ação de Washington nesse sentido. Ou ainda, no caso do Brasil, é a nossa classe média disposta a defender as migalhas que julga ter conquistado com o Plano Real (a casa própria, o carro pago em intermináveis prestações fixas etc.).

O quadro que aí se delineia é desolador. A notícia, se nunca foi um "relato objetivo", até porque, como já vimos, não existe a "linguagem objetiva", hoje funciona apenas como uma peça de legitimação de determinada ordem ou percepção de mundo. Ela é um ingrediente do "grande show" transmitido diariamente pelos oligopólios da comunicação. Ao diluir as fronteiras entre os gêneros, ao tratar o mundo como show e o show como notícia, a mídia permitiu, em contrapartida, que outras linguagens, como a dos quadrinhos, reivindicasse para si o estatuto do jornalismo. E aí se resolve o impasse aparente.

IMAGENS INVISÍVEIS

Para a nossa sorte, Joe Sacco é leitor de Noam Chomsky. Ele mesmo começou a se interessar pela "questão palestina" a partir de 1981, quando Israel bombardeou o Líbano. Seu interesse tornou-se indignação em 1982, quando as tropas israelenses, comandadas pelo fascistóide Ariel Sharon, deram suporte militar e logístico ao massacre de cerca de 5 mil palestinos (a imensa maioria composta por crianças, mulheres e velhos) nos campos de refugiados libaneses de Sabra e Chatila. Sacco suspeitou que havia algo de muito errado nas descrições da mídia que faziam de Israel um Estado "vítima" dos "sanguinários" vizinhos árabes. Começou a investigar o assunto por conta própria. Acabou viajando para a Palestina, em 1996, lá vivendo durante dois meses. O resultado foi o livro que agora temos em nossas mãos.

Um dos grandes méritos de Sacco - e daí o imenso poder de seus quadrinhos - foi o de ter dado visibilidade aos árabes "invisíveis". Durante os seis meses de preparação do ataque de Washington a Bagdá - de agosto de 1990, quando Sadam Hussein invadiu o Cuáit, a janeiro de 1991, quando a guerra começou -, o mundo foi inundado por fotos de soldados americanos mobilizados para a guerra, e de seus familiares que ficavam nos Estados Unidos. Tínhamos todas as informações sobre os soldados americanos: sabíamos seus nomes, suas idades, com quem namoravam, onde viviam, quem eram os seus pais, os seus filhos. Do "lado de lá", nada sabíamos. Ou melhor, recebíamos as famosas imagens de mulheres com véu ("eles" são machistas), de garotos de quinze anos armados até os dentes ("eles" são fanáticos), de feiras de camelos na Arábia Saudita ("eles" são atrasados). Por meio dessa operação, os árabes se tornaram invisíveis, tanto quanto os soldados americanos se tornaram nossos amigos, figuras familiares e simpáticas.

Ora, os árabes palestinos são invisíveis para o Ocidente desde pelo menos o início do século XX. Sacco nota, em seu livro, a extrema violência implicada no lema do movimento sionista - uma terra sem povo para um povo sem terra -, que germinou na Europa no início do século XX. A ''terra sem povo'' era a Palestina; o ''povo sem terra'', obviamente, era o judeu. A premissa era completamente falsa. A Palestina nunca foi uma ''terra sem povo''. Ao contrário, foi ocupada desde pelo menos o século VII por uma imensa maioria de árabes muçulmanos e também por minorias de árabes cristãos e judeus. Isso significava, entre outras coisas, que os judeus de origem européia só poderiam ocupar a Palestina mediante a expulsão dos habitantes árabes daquela região. E isso foi feito, como reconhece ninguém menos que o próprio general Moshe Dayan, comandante das tropas israelenses durante a Guerra dos Seis Dias.

''Nós viemos para este país que já era habitado pelos árabes, e aqui estamos estabelecendo um Estado hebreu, isto é, judaico. Em áreas consideráveis do país, compramos as terras dos árabes. Cidades judaicas foram cons-truídas no lugar das cidades árabes. Vocês nem sabem o nome das cidades árabes, e eu não os culpo por isso, porque nem existem mais os antigos livros de geografia. Mas não apenas os livros não mais existem, como as cidades árabes também desapareceram.''

Dayan deu essa declaração ao jornal israelense Ha-Aretz, 4 de abril de 1969. A declaração foi citada pelo professor palestino Edward Said, em seu livro The Question of Palestine (Random House, Nova York, 1979, p. 14), livro que foi lido por Sacco, como ele mesmo disse em várias entrevistas. Temos, então, o seguinte problema: o movimento sionista europeu foi obrigado a negar a existência dos árabes palestinos, como forma de justificar e legitimar uma suposta ''volta'' do povo judeu ao seu lar de origem, a Palestina. Mas como negar a existência de todo um povo? O próprio Said dá uma resposta: ''Devemos entender a luta entre palestinos e sionistas como uma luta entre a presença e a interpretação, a primeira sendo sempre derrotada e eliminada pela segunda'' (op. cit., p. 8). E como a ''intepretação'' sionista ocultou a ''presença'' árabe palestina? Simples: por um jogo de mobilização de preconceitos culturais.

TERRA SEM POVO

Como já notamos, os árabes, do ponto de vista ocidental, constituíam um povo ''atrasado'', uma civilização ''estranha'', que adotavam outros deuses, outras vestimentas, outro alfabeto. Os sionistas, ao contrário, eram cidadãos europeus (ainda quando vinham da Europa Oriental). Assim como, à época das grandes navegações, os habitantes originais das Américas eram vistos como ''selvagens'' não civilizados - prova disso é que não conheciam as letras efe, ele e erre, e não tinham, portanto, nem fé, nem lei, nem rei -, assim também os árabes eram descritos como uma civilização exótica, distante, habitantes de terras longínquas, de algum lugar que tinha existência mais forte na fantasia do que em alguma região do planeta. Eram seres desencarnados, que não possuíam história, despojados de seu passado, seu presente e seu futuro. Eram não-seres.

E assim se construiu o mito de uma ''terra sem povo''. O movimento sionista contava com a simpatia de uma forte percepção eurocêntrica do mundo, que condicionava o olhar até mesmo dos intelectuais e filósofos de esquerda, como Karl Marx, que, por exemplo, saudou o ''processo civilizatório'' do capitalismo inglês durante a colonização da Índia. Consumada, assim, a aparente vitória da ''interpretação'' sobre a ''presença", os líderes sionistas podem até se permitir falar do assunto com uma certa franqueza, como fez Moshe Dayan. Mas a ''presença'' de uma história e de uma cultura não se deixa enterrar tão facilmente. A memória de todo um povo que teima em existir foi a base sobre a qual se construiu a Autoridade Palestina, forma embrionária do Estado que resgatará para esse povo o direito à própria história.

Sacco dá uma cara aos árabes sem cara. Mostra o sofrimento das mães palestinas, a ansiedade das crianças, o terror dos homens diante de um Exército formidável, poderoso e fascistóide. Mas ele não faz um "panfleto palestino". Ao contrário, há todo um esforço para mergulhar no componente profundamente humano da tragédia palestina. Produz seus heróis e seus covardes, suas esperanças e suas frustrações. Nisso reside a legitimidade e o poder deste livro: no mundo em que impera as imagens, Sacco produz as suas próprias imagens de mundo para subverter, questionar uma percepção uniformizada pela grande mídia.

E não será este, precisamente, o objetivo maior de uma grande reportagem?