| Beijar o Céu: novo livro da coleção iê-iê-iê |
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“Sou cria de uma instituição peculiar, um espaço cultural que não existe mais e que, olhando para trás agora, parece bastante improvável: a imprensa musical britânica”. Assim Simon Reynolds começa seu prefácio em Beijar o Céu – quarto livro da Coleção iê-iê-iê, que compila artigos do jornalista, publicados tanto na imprensa como em livros como Sex Revolts e Rip It Up and Start Again. As aspas citadas ali em cima podem até ser mentira, pode ser que a imprensa musical britânica ainda tenha alguma função. Mas uma coisa é certa: Simon Reynolds é o maior crítico musical inglês dos últimos vinte anos. Nascido em 1963, Reynolds começou na crítica musical editando o fanzine Monitor, enquanto estudava História na Universidade de Oxford, em 1984. Com o fim do zine (que durou seis edições) em 1986, Reynolds começou a escrever para o semanário Melody Maker, onde sua carreira como jornalista deslanchou em definitivo. Desde então não deixou de estar próximo de cada vanguarda pop que surgisse, sempre acompanhando de perto a sempre mutável cena inglesa. A obra de Reynolds, até agora, é tão profunda quanto extensa. Conhecido por aliar a verborragia de Lester Bangs com a teoria crítica de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o jornalista acompanhou de perto a revolução causada pela cena rave no final dos anos 80 na Grã Bretanha; revelou para o mundo o fenômeno do grime; cunhou o termo “pós-rock”; publicou com sua esposa um tratado sobre sexo, gênero e rock (Sex Revolts) e escreveu a história definitiva do pós-punk em Rip It Up And Start Again. Beijar o Céu contém cada uma dessas facetas de Reynolds, representadas em diferentes formas: a antológica entrevista com Morrissey, o ensaio fundamental sobre Joy Division e a cena de Manchester, a descoberta de Dizzee Rascal e da cena grime. E mais: o flerte entre Radiohead e o pós-rock, a rivalidade histórica entre Nirvana e Pearl Jam, a ligação entre o Pink Floyd e as raves contemporâneas, a explosão hip hop, de Public Enemy a Timbaland, Missy Elliott e Puff Daddy. Num tempo onde os gêneros de música pop fundem-se indiscriminadamente, gerando formas cada vez mais híbridas, um crítico como Reynolds é imprescindível. Com ouvidos acostumados a escutar a música sem preconceito, cumpre o papel de guia dentro do labirinto de ritmos e estilos do século XXI – com a elegância e a paixão que sempre caracterizaram seu inconfundível texto. Leia o prefácio do livro clicando aqui. |
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