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Sandman The Dream Hunters: os caçadores de sonhos Converter para PDF Versão para Impressão Enviar por e-mail
Neil Gaiman e Yoshitaka Amano

A Conrad Livros está trazendo ao Brasil Sandman the dream hunters: os caçadores de sonhos, um livro ilustrado, com roteiro de Neil Gaiman (considerado um dos maiores roteiristas de quadrinhos dos últimos anos) e desenhos do artista japonês Yoshitaka Amano.

Em dezembro de 1998, os fãs brasileiros dos bons quadrinhos tiveram uma grande perda, quando foi às bancas a última edição da revista Sandman, uma das melhores publicações do gênero nas últimas décadas. O título cativou milhares de leitores pelo mundo inteiro, com histórias permeadas de referências, que misturavam mitologias de vários povos com fatos reais, sempre com uma marca registrada: a qualidade do texto assinado pelo britânico Neil Gaiman.

Segundo o autor, a saga do Mestre dos Sonhos foi encerrada porque "toda boa história tem começo, meio e fim; e Sandman era uma boa história". Mas, felizmente, Gaiman deixou uma "porta aberta" para produzir edições esporádicas, onde narraria histórias não contadas do personagem.

O Sandman lançado pela Conrad Livros foi produzido em comemoração aos dez anos do personagem nos Estados Unidos e narra a história de um monge budista e de uma raposa com poderes místicos, que se apaixona por ele. A trama possui um lirismo singular e a participação de Sandman é sutil, porém, decisiva.

Sandman the dream hunters: os caçadores de sonhos é o resultado de uma feliz confluência de fatos. Tudo começou quando Neil Gaiman transcrevia para o inglês os diálogos do filme de Hayao Miyazaki, Princess Mononoke (Princesa Mononoke). Para se preparar, ele leu muito sobre a história e a mitologia japonesas até encontrar no livro do reverendo B. W. Ashton, Fairy Tales of the Old Japan (Contos de Fada do Japão Antigo), um conto chamado "A Raposa, o Monge e o Mikado dos Sonhos", que possui incríveis semelhanças com Sandman.

Daí, quando veio o convite da DC para realizar uma história para o projeto do décimo aniversário de Sandman, Gaiman sugeriu uma "adaptação" do conto japonês, ilustrada por Yoshitaka Amano, que já havia feito uma arte-ilustração do personagem, numa edição especial.

O fruto dessa inusitada parceria é belíssimo! O texto de Gaiman e as magníficas ilustrações de Amano encaixam-se com perfeição, envolvendo o leitor em toda a aura de fantasia que permeia a obra.

Mas as boas notícias para os leitores de Lorde Morpheus (uma das denominações do personagem) não páram por aí, pois, além de Sandman the dream hunters: os caçadores de sonhos, a Conrad lançará, ainda este ano, em dois volumes, Sandman: o livros dos sonhos, editado por Neil Gaiman e com arte de Ed Kramer. Portanto, o sonho está apenas começandoŠ


Histórico de Sandman

Sandman é, sem dúvida, um dos mais enigmáticos personagens de quadrinhos de todos os tempos. Graças aos brilhantes roteiros de seu (re)criador, Neil Gaiman, que o reformulou completamente no final da década de 80, o Mestre dos Sonhos redefiniu o conceito de "quadrinho adulto", arrebanhando milhares de novos leitores em todo o mundo.

Só para ter uma idéia de seu sucesso no Brasil, onde as HQs voltadas ao público adulto têm pouquíssima longevidade, a revista Sandman foi publicada pela Editora Globo durante dez anos (1989 a 1999) e foi um verdadeiro recorde para o mercado nacional. Mas, até atingir esse status, Sandman teve outras encarnações oníricas, não tão brilhantes como a atual, porém fundamentais para a concepção do personagem como ele é hoje.

Apesar de haver muitas controvérsias sobre o nascedouro do conceito do Sandman, a maioria das versões aponta para o dinamarquês Hans Christian Andersen, que, em 1835, descreveu em contos infantis um personagem que soprava areia mágica nos olhos das pessoas para elas dormirem ou terem pesadelos.

Sandman estreou nos quadrinhos em 1939, mas era muito diferente da versão que popularizou Neil Gaiman. Era um milionário que combatia o crime com uma pistola que soltava uma estranha fumaça (para fazer os inimigos dormirem) e uma máscara para protegê-lo do gás e preservar sua identidade secreta. Depois disso, o personagem ganhou outras versões, no estilo super-herói, mas todas de pouca duração, o que o deixou mais tempo fora do que dentro do mercado de quadrinhos.

Finalmente, em 1988, Sandman ganhou sua versão definitiva. Neil Gaiman resolveu apostar num personagem que estava no "limbo" da DC Comics, no mais puro esquecimento. O autor começou mudando por completo o seu visual. Sandman ganhou um aspecto pós-apocalíptico, como pele pálida e cabelos negros arrepiados à imagem de Ian McCulloch (do Echo & the Bunnyman). Além disso, o roteirista criou um universo ao redor do personagem, amparado em várias mitologias e também nas suas versões anteriores.

Tudo foi muito bem amarrado por Neil Gaiman. Sandman ganhou seis irmãos ­ Morte, Delírio, Desespero, Destino, Desejo e Destruição. Na família dos Perpétuos ou Sem-Fim (como são chamados) surgiu uma das melhores sacadas do autor. Em inglês, todo os nomes começam com a letra D: Death, Delirium, Despair, Destiny, Desire e Destruction, respectivamente.

O grande mérito de Neil Gaiman foi trabalhar sobre o fato de que um habitante dos sonhos deve, por obrigação, ser misterioso. Ele abordou o lado psicológico dos pesadelos e ao mesmo tempo em que era capaz de instituir um terror escatológico nas páginas de uma edição; na outra, contava uma história de Shakespeare. Com isso, bem ao estilo de seu personagem, misturou, por várias vezes, sonhos e pesadelos!

Na Internet:
http://www.conradeditora.com.br/sandman/