A coleção Baderna se inicia com TAZ, um dos mais polêmicos livros
do mundo contemporâneo. Seu autor, Hakim Bey, nunca foi fotografado, recusou-se
a ser entrevistado pela Time, e quando mais jornalistas começaram a caçá-lo,
desapareceu.
Apesar de seu anti-marketing, TAZ tornou-se um best seller. A partir
de seu lançamento, no final dos anos 80, foi reproduzido infinitamente
na Internet (com a bênção do autor, que é contra direitos autorais) e
ganhou edições em dezenas de países. Surgiu até uma versão em disco, em
uma parceria de Hakim Bey com o músico Bill Laswell (e não é o único disco
de Bey: ele também gravou com William Burroughs e Iggy Pop).
É tamanha a “popularidade” que até um livro apócrifo de Bey foi lançado
na Itália, no que ao final se revelou mais uma das ações de contra-informação
de Luther Blissett (outro dos autores da coleção Baderna).
Os conceitos lançados por Bey tornam-se cada vez mais difundidos no universo
do ativismo radical de esquerda. Principalmente o conceito de Zona Autônoma
Temporária, mais conhecida pela sigla TAZ (de Temporary Autonomous Zone).
A idéia de combater o Poder criando espaços (virtuais ou não) de liberdade
que surjam e desapareçam o tempo todo.
Usando de sua inusitada erudição, Hakim Bey cruza as referências mais
inesperadas: da filosofia sufi aos situacionistas franceses, de Nietzsche
aos dadaístas. E vai buscar precedentes para a TAZ entre os piratas dos
séculos XVI e XVII, nos quilombos negros da América e nas efêmeras repúblicas
libertárias do início do século XX.
O conceito de TAZ foi imediatamente adotado por ativistas das mais diversas
tendências e das mais diversas áreas. Inspirou, por exemplo, muitas das
táticas de rua dos manifestantes já nos famosos acontecimentos de Seattle.
Mais de uma autoridade policial constatou aterrorizada que era muito difícil
acompanhar a estratégia dos manifestantes de formar grupos aleatoriamente,
atacar e depois desmanchar aquelas formações para formar outros grupos,
com novos objetivos.
A TAZ também foi adotada com entusiasmo por hackers mais politizados em
seus combates virtuais contra as autoridades. E também foi adotada, em
uma maneira menos virtual, nas raves inglesas, quando o governo inglês
criou uma lei que reprime as festas ao ar livre não chanceladas.
Ao mesmo tempo que esses manifestos e ensaios de Hakim Bey passaram a
receber a atenção de ativistas e das autoridades (algumas teorias conspiratórias,
talvez não tão delirantes, dizem que um departamento do FBI teria sido
criado para descobrir sua identidade e acompanhar seus passos), passaram
também a receber elogios entusiasmados por sua qualidade literária. E
foram elogios vindos de escritores de respeito como Allen Ginsberg, William
Burroughs e Robert Anton Wilson.
Seja por sua importância histórica, seja por sua qualidade como literatura,
TAZ é uma leitura obrigatória para entender o mundo atual.
O AUTOR
Não há fotos de Hakim Bey. Milhares de histórias a respeito de quem seria ele
correm soltas pela Internet. A história mais freqüente diz que Hakim Bey teria
sido um poeta em algum lugar do norte da Índia, que por questões políticas teria
sido obrigado a fugir para a Inglaterra e depois, por causa do envolvimento
em uma ação terrorista, teria fugido para Nova York. Outros dizem que ele seria
a ovelha negra de uma família de milionários. A informação mais segura diz que
ele seria um americano que viveu muito tempo no Irã, mas fazendo o quê é um
mistério.