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Clube dos Corações Solitários Converter para PDF Versão para Impressão Enviar por e-mail
André Takeda

Editor de uma das principais revistas literárias da internet inaugura a nova literatura pop brasileira

Produzindo literatura no fechado mercado editorial brasileiro, os jovens escritores buscaram raefúgio no mundo digital. E mais do que espaço, encontraram leitores. Em meio a inúmeros websites e e-zines, um dos maiores destaques da internet é a revista literária TXTmagazine.com, editada e produzida pelo escritor André Takeda. São mais de 150 autores diferentes publicados em um ano de revista, que tem em média 1.500 leitores por semana. Foi na TXTmagazine.com que este Clube dos Corações Solitários surgiu para se tornar um sucesso de downloads. Agora, o romance é um dos primeiros livros nacionais a sair do mundo digital para o impresso, fenômeno verdadeiramente inédito nas livrarias brasileiras. Afinal, o Clube inaugura a nova literatura pop brasileira.

A literatura pop não é apenas a correspondente escrita da música pop, no sentido do consumo rápido e do tratamento direto. Ao longo de décadas, desde J.D. Salinger (de O Apanhador no Campo de Centeio), passando por Douglas Coupland (Geração X) e Nick Hornby (Alta Fidelidade), e chegando até o Clube dos Corações Solitários, ela representa uma linhagem. A linhagem dos escritores que tentaram capturar um modo fugidio, um jeito como que "virgem" de estar no mundo. Aquela tênue (e normalmente turbulenta) passagem da suposta irresponsabilidade da adolescência para a vida adulta – seja lá em que idade isso acontece... E, principalmente, a definição de até que ponto essa entrada significa uma rendição ao mundo ou, ao contrário, uma tentativa de moldar o mundo conforme essa sensibilidade aflorada.

A melancolia, a "infelicidade cultivada" da música pop (segundo Hornby), um aborto, um adiamento da questão profissional através de um "MacEmprego" (segundo Coupland), montar uma banda, mergulhar em café, simplesmente querer sumir de desespero e amargura (desde Salinger). Com este Clube não é diferente. O descompasso aparente entre a irrelevância dos acontecimentos e a intensidade dilacerante dos sentimentos é a própria essência dessa percepção. Um mundo pouco prático – segundo os "adultos" e os cínicos. Uma brecha para um mundo mais leve – enquanto nossos "garotos" e "garotas" não desistirem de adaptar o mundo, em vez de se adaptarem a ele.


"Armadíssima, a nova guerrilha pop da qual André Takeda é distinto soldado prepara um levante que, tomara, não tardará a acontecer. A luta é pelo direito de escrever sobre a namorada e sobre os Pixies na mesma linha, de discutir a influência de Pavement na prolífica cena jovem gaúcha sem parecer esquisito, de sofrer por amor e buscar explicações nas teorias nickhornbianas. E Clube dos Corações Solitários é uma pedra e tanto jogada no telhado da mesmice reinante. A responsabilidade de Takeda é de ser a ponta brilhosa de uma das muitas britadeiras que estão furando o chão mofado do mainstream brazuca."
Do prefácio de Lúcio Ribeiro.

O AUTOR

André Takeda ( ) nasceu em Porto Alegre alguns anos depois que os Beatles se separaram. É editor da revista literária TXTmagazine.com (www.txtmagazine.com) e colunista dos websites Argumento.net (www.argumento.net) e Londonburning.com (www.londonburning.com). Atualmente vive e trabalha em São Paulo.